Desde 1994, cobro, todos os anos, da tribuna da Câmara de Vereadores e, depois, por meio de artigos, que o Carnaval de rua, em Tubarão, seja realizado sem o uso de recursos públicos.
Na verdade, me insurjo contra a prática de falar sobre Carnaval somente depois do Natal, restando como opção, não fazê-lo ou fazê-lo com recursos públicos, que há muito, não cumprem os deveres constitucionais com a saúde, educação, segurança e outros.
Em Tubarão, após o ano de 2013, nem depois do Natal se fala sobre Carnaval. Ou seja: desde 2012 não há desfile de escolas de samba e blocos carnavalescos nas ruas da Cidade Azul, como se fosse possível fazê-lo apenas com dinheiro público.
Criticar, não fazer ou fazer com dinheiro do povo é fácil. Mas o necessário é fazer, como fizemos a Zumbiafro, em Tubarão, sem nenhum centavo público. Acolhemos cerca de mil pessoas, 16 grupos de dança de diversos municípios, feira de livros e palestras. Servimos café e almoço típicos para todos e distribuímos troféus de homenagens, com recursos do próprio evento e apoio do comércio e da mídia local.
Isso foi possível porque aplicamos o PCC, marca de nossa atuação (Projeto para melhorar a vida das pessoas; Credibilidade para articular pessoas e entidades para a concretização; Coragem para contrariar os aproveitadores do dinheiro público), com diversas equipes trabalhando voluntariamente o ano todo.
O município pode fazer melhor com relação ao Carnaval: Motivar e ceder espaços para que as entidades carnavalescas promovam eventos que geram recursos o ano todo. Para facilitar, Tubarão tem, desde 1999, a lei municipal que “cria incentivos fiscais destinados a financiar projetos culturais”.
A crise não pode ser utilizada para suprimir eventos – como os desfiles carnavalescos, que sempre atraíram milhares de tubaronenses para a avenida – mas para indicar que é possível, e urgente fazê-los de outra forma.
Não se está falando apenas de beleza plástica, do gingado dos corpos, do ritmo dançante das baterias, das fantasias e das alegorias. Está-se falando, também, e principalmente, de resgatar, contar e preservar, na avenida, de forma interdisciplinar, nossas histórias e culturas. De aquecer o comércio local, tantos são os apetrechos para colocar uma escola ou nloco na rua. De geração de emprego e renda – se movimentado o ano todo – e estímulo à vida comunitária, à disciplina, ao comprometimento e à solidariedade.
Se o trabalho iniciar já, o Carnaval de rua em Tubarão pode retornar em 2017 e proporcionar tudo o que foi acima mencionado, sem o uso de um único centavo público.

